BOEDMG – Curso RADA – Parte Teórica

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Nos dias 20, 22, 24 e 25 de fevereiro de 2018, participamos do Curso de Resgate em Áreas Remotas e de Difícil Acesso (Curso RADA – parte teórica), realizado pelo BOEDMG (Bombeiros em Operações em Desastres de Minas Gerais) . O conteúdo do curso é muito abrangente tendo como função formar instrutores para as adversidades em ambientes outdoor durante realização de um resgate. Para nós, praticantes de atividades e esportes de aventura, é de suma importância entender melhor como funciona este resgate e também estarmos antes de tudo preparados para qualquer tipo de problema durante alguma prática em ambientes ao ar livre.

O curso é dividido, de maneira idêntica, em parte teórica (2 dias) e prática (2 dias).Veja o texto e fotos sobre a parte prática do curso

1º dia do Curso RADA – parte teórica

Inegavelmente houve um aumento exponencial dos frequentadores de locais como montanhas, matas, florestas, rios, cavernas e outros que podem ser considerados remotos e de difícil acesso. Essa busca se dá em consequência de muitos procurarem por práticas esportivas como trekking, canionismo, rapel… Além destas, outras práticas como pesquisas de campo e o puro prazer levam as pessoas a esses ambientes. Mesmo com todos os cuidados tomados por estes frequentadores (ou não), houve um aumento no número de ocorrências.

O resgate de pessoas acidentadas é sempre uma grande responsabilidade. Realizar um salvamento em áreas remotas certamente não é a mesma coisa que salvar uma vítima em locais urbanos. Estes ambientes envolvem conhecimentos específicos além de serem locais com acesso dificultado principalmente pelo terreno. Outro grande complicador, é que em ambientes outdoor, dificilmente se conseguirá levar uma grande quantidade de equipamentos de tal forma que implica na improvisação com materiais que a própria natureza oferece. O fazer mais com menos é,
portanto a chave do sucesso de um resgate.

Assim sendo, o treinamento de equipes de busca e salvamento deve ser adequado para todos os tipos de intempéries. Além disso, um resgatista precisa do espírito de cumprir a missão, mesmo não dispondo da mesma energia do início. O espírito do querer salvar sempre tem que estar no seu ápice. Por isso, o Curso RADA existe, para treinar todas as técnicas e práticas necessárias para formar um bom resgatista.

Alguns tópicos foram abordados nesta aula, como:

Equipamentos Específicos

Foi abordada a importância dos equipamentos individuais para os resgatistas, não só suas vestimentas e calçados como também o equipamento de proteção individual. As vestimentas são importantes pois tem tecnologia para amenizar a sensação de calor ou frio, além de serem resistentes ao fogo. Os calçados (coturnos) protegem a articulação dos tornozelos e dos pés. E os equipamentos de proteção individual como o cinturão de segurança, óculos, luvas e capacetes são, da mesma forma, importantes para preservar a integridade física.

Bússola

Mesmo que nos dias atuais muitos estão utilizando de equipamentos modernos como o gps para se localizar, o uso da bússola ainda é importante porque o resgatista pode não ter em mãos as coordenadas de onde a vítima se encontra.

Equipamentos para salvamento

Alguns equipamentos são essenciais para o socorro de vítimas como, por exemplo, a prancha de imobilização em compensado e a prancha sked. As duas tem basicamente a mesma função porém a prancha sked, além de imobilizar a vítima, ela a envelopa, fechando as laterais evitando assim com que o acidentado possa sofrer novas lesões por contato. Ela também leva a um aquecimento, ajudando com que a vítima não entre em choque.

Deslocamentos em ambientes remotos

Similarmente ao importante aprendizado de utilização da bússola, o deslocamento em ambientes outdoor deve ser bem analisado antes de ser executado. Em ambientes de selva, por exemplo, uma pessoa tende a deslocar para qualquer direção, em busca de salvação. É a pior atitude a ser tomada nesta situação. A ansiedade faz com que você se perca, podendo assim entrar em pânico e até mesmo perder a vida.

Foi comentado sobre o ESAON, uma técnica usada pelas Forças Armadas Brasileiras, para se orientar quando estiver perdido. Ela significa: E: estacione; S: sente-se; A: alimente-se; O: oriente-se e N: navegue.

2º dia do Curso RADA – parte teórica

Orientação

Orientar-se bem em áreas remotas significa, antes de mais nada, nunca perder o foco. Em ambientes de selva, a vegetação é muito densa e, assim, ela se torna muito igual. Geralmente só se vê de 10 a 30 metros à frente. Isso durante o dia pois, à noite nada se vê. Nesse sentido, a progressão noturna nunca é indicada.

Existem algumas formas de orientação, como: orientação por bússola, orientação pelo sol e orientação pelo relógio de ponteiro. Em todas essas é muito importante a pessoa saber utilizar as técnicas para aplicá-las, caso contrário ele poderá se perder ainda mais.

Navegação

A navegação é um termo usado para designar qualquer movimento terrestre ou fluvial, diurno ou noturno, no ambiente outdoor. Na falta de uma bússola, a navegação é feita de forma improvisada. Foi citada a importância de sempre se ter o mínimo de 4 pessoas em um grupo de resgatistas para fazer a navegação, bem como a presença de um mateiro conhecedor da região que torna mais fácil a navegação.

Nós, amarrações e ancoragens

Nenhum curso de resgate seria completo sem falar deste tema. Foram abordados diversos tipos de nós como o pescador, boca de lobo, fiel, nó direito, aselha em oito, etc. Além disso, foi ensinado também como fazer as amarrações usando estes nós além do sistema de tracionamento de equalização de forças utilizando polias.

Técnicas de Imobilização

Foi comentado que sempre que vai se fazer uma imobilização, o correto é saber, em primeiro lugar, qual é o tipo de lesão existente na vítima. Com isso, todos os resgatistas devem saber os Protocolos de APH com o intuito de melhor atender o paciente e o encaminhar para o atendimento médico.

Finalizada a parte teórica, aguardamos ansiosos para a parte pratica que viria nos próximos dois dias. Todo o conteúdo abordado foi muito interessante e agregou muito conhecimento para nós e para todos os presentes. Todo o trabalho dos instrutores é feito de forma voluntária, portanto sem custos para os participantes.

Se você tem interesse em participar do curso ou deseja colaborar de alguma forma com os Bombeiros de Operações em Desastres de Minas Gerais, segue abaixo o contato:

Contato BOEDMG

1º Batalhão de Bombeiros de Operações em Desastres de Minas Gerais

Rua Maria das Neves Figueiredo Carlos, 53, Sevilha A, Ribeirão das Neves-MG.

Telefone de contato: (31) 3161-5040 / 3627-3248.

Site oficial: www.bombeiroscomunitarios.org.br. 

Fotos por Reinaldo Figueiredo: www.fotografia.reinaldofigueiredo.com

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