Botas x Lesões no Tornozelo no Trekking

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A função primária dos pés e dos tornozelos é de absorção do choque. Além disso, ele proporciona o impulso para o corpo durante a caminhada. A maleabilidade é também um quesito importante, pois através dela que nosso pé se adapta a incontáveis configurações espaciais entre ele e o solo. A caminhada também exige que o pé seja relativamente rígido para ser capaz de resistir a grandes impulsos propulsores. O que garante isso é um funcionamento sadio entre articulações inter-relacionadas, tecidos conectivos e músculos.

Entrando no quesito das atividades de aventura, quando se trata de ter conforto durante as caminhadas em trilha, o primeiro item que deveria vir a mente da maioria dos praticantes é o calçado. Por certo, o trilheiro ficará muito tempo em pé e deslocará muito, realmente é algo de extrema importância. Só que muitas vezes, pela falta de experiência, as pessoas acabam escolhendo calçados errados para trilha. Como os terrenos de ambientes outdoor geralmente são irregulares e com muitas pedras, essa má escolha pode acarretar em lesões, mais comumente na articulação do tornozelo.

Diferentes modelos de bota de trekking

Portanto, um calçado que é muito indicado para utilizar durante as trilhas são as botas próprias para a atividade. Elas trazem conforto e segurança, sendo essenciais para serem evitadas lesões e quedas, além de outros acidentes possíveis no trekking. São vários os tipos de botas disponíveis no mercado, desde as mais simples até as que têm tecnologias avançadas. Existem opções com variados tipos de solado (cada qual para um tipo de terreno), materiais, tratamentos de tecido, etc. Basta escolher aquela que você terá mais uso, levando em consideração o ambiente que você percorrerá com mais frequência.

Entorses ou Torções

As famosas entorses, também chamadas de torções são lesões bem comuns nas práticas de trekking mas elas podem ser evitadas ou ter menor gravidade, tomando os cuidados necessários, sendo um deles a utilização das botas e o fortalecimento dos músculos da região do tornozelo.

Existem tipos e graus de entorse do tornozelo, que podem lesionar ligamentos, tendões, ossos e cartilagens. Vamos nos ater neste texto aos mais comuns na prática do trekking e também, levando em consideração o uso do calçado. Para entender um pouco mais sobre, seguem algumas definições:

Inversão ou supinação

1- Inversão com calçado inadequado
2- Inversão com calçado adequado

Inegavelmente são as lesões de tornozelo mais comuns durante a prática do trekking. A maior parte dessas lesões ocorrem durante atividades esportivas e outras atividades de lazer quando o tornozelo cede sobre o solo irregular.

Nas imagens 1 e 2, dá pra ver nitidamente a diferença do grau de inversão do pé, utilizando um tênis normal de corrida e uma bota própria para trekking. Decerto, com o uso da bota, o tornozelo se mantém mais protegido, correndo menos risco de um entorse ou evitando a gravidade do mesmo.

Tipicamente, o traumatismo causará estiramento ou laceração do ligamento talofibular anterior, do calcaneofibular ou de ambos. Se a perna for torcida violentamente com o pé fixo, também pode haver separação do encaixe do tornozelo e ruptura da sindesmose tibiofibular.

Ocorre frequentemente durante a flexão plantar, uma posição de menor estabilidade óssea da articulação talocrural.

Eversão ou pronação

3- Eversão com calçado inadequado
4- Eversão com calçado adequado

Por fim, este caso é um pouco menos comum nas entorses durante as trilhas.

As imagens 3 e 4 mostram como o grau de eversão é menor, como resultado da utilização da bota com relação ao uso de um calçado que não protege a articulação.

Quando ocorrido, afetam principalmente os ligamentos colateral medial tanto a porção tibiofibular anterior, tibionavicular, tibiocalcaneo e tibiotalar posterior.

Com relação aos graus de entorse, são estes a seguir:

Grau 1

Distensões com micro lesões de ligamentos;

Grau 2

Rupturas parciais (estiramentos);

Grau 3

Ruptura total dos ligamentos.

A entorse em grau grave (grau 3), pode causar além das lesões em ligamentos e da cápsula articular, uma fratura dos maléolos da tíbia ou da fíbula, dependendo do tipo de entorse. Os maléolos são aquelas protuberâncias ósseas na parte interna e externa dos tornozelos.

Tive uma entorse na trilha…o que devo fazer?

Primeiros Socorros

Em primeiro lugar, o ideal é NUNCA sair para trilhar sozinho(a). Ter a companhia de, ao menos mais uma pessoa ou preferencialmente mais de uma, é questão de segurança. Com mais pessoas com você e com a possibilidade de machucar, ao menos uma pessoa fica contigo enquanto o outro buscará ajuda.

Outro ponto importante e interessante: sempre tenha alguém no grupo que seja capaz de aplicar corretamente os primeiros socorros. De fato, nada adianta ter o equipamento mas não saber usá-lo da forma correta, pois isso pode até agravar ainda mais a situação.

Existem muitos cursos gratuitos e validados de Primeiros Socorros que podem trazer a base necessária para, ao menos, saber a atitude que deve ser tomada. Primeiramente, em caso de emergência, sempre procurem os órgãos que atendem estes tipos de situação, como SAMU e Corpo de Bombeiros. Caso esteja em áreas de Parques Nacionais e Estaduais, que tenham o suporte, como por exemplo os parques gerenciados pelo ICMBIO, pegue sempre o contato da central dos guardas-parque.

Esteja sempre preparado nas trilhas: tenha mais de uma forma que você possa fazer contato (celulares, rádios comunicadores, Spot).

Devo continuar a trilha?

Saber avaliar a dor que está sentindo é importante. Quando se está em atividade e o corpo está quente, nem sempre é percebido a real dor que se tem no local. Se o trilheiro prosseguir a trilha sem avaliar melhor, a lesão que ele tem pode piorar ainda mais no ato de andar. Em primeiro lugar, deve-se testar o movimento do tornozelo sem forçá-lo no chão. Se estiver com todos os movimentos íntegros e sem dor ou dor leve, o próximo passo é colocá-lo no chão e ver se a dor continua a mesma. Se no primeiro teste, o trilheiro não conseguir movimentar a articulação, ele pode ter sofrido um grau mais grave da entorse, com possível rompimento total dos ligamentos.

Inchaços e hematomas devem ser observados e eles podem ser bons marcadores de gravidade. Quando o local está com grande inchaço e com hematomas, pode ter tido algum rompimento de tecido e isso, unido a dor, leva realmente a seriedade do problema. Em casos assim, o membro deve ser imobilizado e isso dá para fazer até com materiais que a própria natureza oferece, desde que se tenha conhecimento para realizá-lo.

No caso de uma dor que dê pra continuar a trilha, é indicado ao trilheiro colocar os pés e os tornozelos dentro da água que esteja mais fria, geralmente em rios, cachoeiras, etc. Isso pode trazer algum alívio para a dor.

Prevenção

Para ser evitada a entorse em seus diversos graus, o correto nas trilhas é sempre usar botas de cano alto para proteção do tornozelo. Ela ajuda a ter uma diminuição da amplitude de movimento e faz com que a entorse não aconteça ou que ela seja de grau leve. Veja neste link nosso vídeo sobre botas de trekking e o texto sobre a escolha das melhores botas de trekking.

Porém, de nada adianta a bota ter cano alto, mas a amarração não ser feita da forma correta. Não é necessário que ela esteja apertada de modo a prender a circulação, pois isso piora a qualidade da caminhada, mas deve estar amarrada de acordo com que o tornozelo não fique muito móvel dentro da bota.

Diferentes alturas de cano das botas. Quanto mais alto, mais protegido estará o tornozelo

Certamente, outra prevenção importante é a execução de exercícios de fortalecimento dos músculos presentes na articulação do tornozelo como em todo o membro inferior. Todas as atividades devem ser acompanhadas e realizadas com o auxílio de um Profissional de Educação Física.

Em breve teremos, em nosso canal do Youtube, um vídeo mostrando quais são os melhores exercícios para fortalecimento da articulação do tornozelo, então fiquem ligados e cadastre-se em nosso site para receber o conteúdo em primeira mão!!!

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