Mariana (Nina) Gribel – Mulheres Aventureiras e seus desafios

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Nos últimos tempos, as mulheres tem alcançado cada vez mais espaço na sociedade, bem como na carreira profissional, sendo empreendedoras, tendo cargos de destaque em grandes empresas, na política, como grandes cientistas no meio acadêmico, no meio esportivo,etc. Isso por ser advindo das discussões atuais sobre emponderamento feminino, que tem tomado a mídia, consolidando, ainda mais, o poder que uma mulher tem. A Maior parte dessas ações certamente têm sido positivas para a conquista das mulheres e, na prática das atividades e esportes de aventura, não é diferente.

Contudo, se comparado aos homens, somos minoria nas atividades outdoor. Assim sendo, quais seriam os possíveis motivos para tal fato? Falta de oportunidade, medo da exposição ao ambiente, falta de motivação e de respeito pelo fato de ser mulher? Pensando na quantidade de questionamentos acerca do universo feminino e também a fim de comemorar ao Mês da Mulher, tivemos a ideia de fazer uma entrevista guiada, com mulheres que são representantes em vários esportes e atividades outdoor, como hiking, trekking, montanhismo, escalada, canionismo e mountain bike.

Cada dia da semana vocês conhecerão uma mulher que, inegavelmente com muita garra e vontade, mostram que somos aventureiras e capazes de tudo!

Conheça afinal a mulher aventureira de hoje!

Mariana (Nina) Gribel

Mariana Gribel no cume do vulcão Cotopaxi- Equador –
5.897 metros de altitude

Atividade de aventura: Montanhismo

Há quanto tempo iniciou: Tem 20 anos que iniciei – faço desde os 7 anos de idade

Redes Sociais:
Instagram: @familiagribel e @ninagribel

Como iniciou no montanhismo?

Sou uma mulher aventureira desde os 7 anos de idade, quando meus pais me introduziram no montanhismo! Começamos fazendo passeios de bike outdoor, pequenas trilhas, cachoeiras, depois passamos para montanhas no Brasil e hoje eu faço alta montanha no mundo todo! Desde sempre esse é um hobby / uma aventura que faço em família, com meus pais e dois irmãos meus e isso é maravilhoso. Primeiro porque é um momento que temos em família e que estamos todos juntos, se divertindo e como uma equipe, é como se “sumisse” um pouco a hierarquia de pai e mãe e estamos num momento em que todos ajudam e ensinam a todos!

Você se sente segura como mulher praticando a sua atividade?

O fato de fazer em família sempre me deu segurança, pois eu sabia que estava acompanhada das pessoas que mais me amavam e que iriam sempre cuidar de mim. Isso dá um valor maior para a expedição. No início foi importante para eu me tornar mais confiante e segura, ainda mais por ser muito novinha. E hoje meu amor por essa aventura vai além! Então já fiz montanha sozinha, sem eles, e também me diverti e me realizei muito! Embora a companhia de quem gostamos sempre seja mais do que bem vinda!!

Como é ter sua mãe e sua família toda no montanhismo? Isso te traz maior sensação de segurança?

Minha mãe sempre foi uma grande inspiração no montanhismo para mim, pois eu a via forte e conseguindo conquistar tudo. Ela é a principal pessoa que organizava toda a expedição e corria atrás de fazer dar certo, ou seja, do planejamento até a conclusão ela era a mais envolvida.
E vê-la como mulher conseguindo fazer tudo que meu pai e meus irmãos faziam me dava mais forças. Por isso sempre foi, e ainda é, muito importante para mim tê-la ao meu lado, minha maior fonte de inspiração. Ela me faz todo dia acreditar que eu sou capaz!

Você já percebeu alguma diferença de tratamento por ser mulher ?

Por ser mulher, as grandes diferenças que sinto no montanhismo são que as pessoas tendem a imaginar que somos mais fracas e duvidam mais da nossa capacidade. As vezes até oferecem mais ajuda e auxílio por isso.
Mas até o momento eu nunca passei por uma situação de preconceito que me deixou triste, constrangida ou até com medo, e espero que isso nunca aconteça. Porém, mesmo hoje, encontramos poucas mulheres no montanhismo, ainda é uma aventura onde a maioria é homem.

Qual foi a sua maior superação no montanhismo?

Até o momento, a minha maior superação no montanhismo foi chegar ao cume do Aconcágua. É uma montanha com quase 7.000 metros de altitude em um lugar extremamente seco onde a aclimatação com a falta de oxigênio e diferença de pressão é bem prejudicada. Além disso, no dia do cume eu me alimentei muito mal. Comi praticamente só chocolate, o que me deixou muito fraca, mas mesmo com a condição difícil e com o meu erro eu consegui chegar ao cume da montanha e voltei com muitos aprendizados.

Quais são os seus maiores medos durante a prática do montanhismo?

Um dos meus maiores medos na montanha é algum dia me deixar levar pela “febre do cume”. Ela acontece quando estamos fracos e com pouca energia, mas estamos tão próximos do cume que preferimos continuar de forma imprudente do que voltar e ficar bem, ou tenho medo disso acontecer com alguém da minha família. Nesses anos de montanhismo isso nunca aconteceu conosco e fico grata, pois são nesses momentos que a grandes tragédias acontecem.

Qual seria a sua dica para mulheres que querem começar no esporte?

Para iniciar no montanhismo, meu conselho é começar com pequenas montanhas no Brasil. Por exemplo, Picos do Itacolomi, das Agulhas Negras e da Bandeira. Além disso, fazer trilhas e acampamentos. É importante, a pessoa se conhecer nesse ambiente, vê se gosta de estar assim em contato com a natureza, de dormir em barraca, de comer comida de montanha…
Então aos poucos vai migrando para alta montanha, começando pelas mais baixas no Equador, Bolívia, Chile, até conquistar o mundo!!!

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