Surto de febre amarela em Minas Gerais

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Tendo em vista sua vasta extensão territorial e sua grande população, o Brasil é acometido com frequência por surtos de doenças infecciosas. Nos últimos meses, foi a vez do surto de febre amarela deixar todos em alerta. A região leste do estado de Minas Gerais começou a ser assolada por casos suspeitos de febre amarela. Observou-se também que muitos macacos haviam morrido na região já que a doença se manifesta não apenas em humanos, também em outros animais.

Sobre a doença

A febre amarela é uma doença infecciosa que pode ser mortal. É causada por um vírus e transmitida por vetores (mosquitos). Em ambientes silvestres, o transmissor dessa doença é o mosquito do gênero Haemagogus sp. As pessoas que acessam essas áreas habitadas pelos mosquitos portadores do vírus podem ser picadas e, ao retornarem às áreas urbanas, repassar esse vírus para os mosquitos Aedes aegypti – famoso por também transmitir a dengue, zika e chikungunya. Estes mosquitos, agora com o vírus e em uma área ainda mais populosa, podem infectar um número ainda maior de pessoas, aumentando a propagação da doença e causando um surto ou, pior, uma epidemia.

Até o momento, não existe tratamento específico para o vírus da febre amarela, e o tratamento é voltado para controle dos sintomas. O quadro clínico mais comum é: febre alta, cansaço intenso, dor de cabeça e/ou pelo corpo, calafrios, náuseas e vômitos. Alguns pacientes (menos de 20%) podem evoluir para a forma mais grave da doença, com icterícia (pele e olhos amarelados), hemorragias (nariz, gengiva, estômago, intestino e urina), alteração da função do fígado e dos rins e até morte. Caso apresente algum destes sintomas, dirija-se imediatamente a um serviço de saúde pois, quanto antes iniciar o tratamento, mais chances você terá de não evoluir a um quadro mais grave.

Vacinação

Surto de febre amarela
Foto: Pedro Ventura / Agência Brasília

Nós, aventureiros, constantemente estamos em matas e temos maior probabilidade de sermos picados por algum mosquito que esteja com o vírus da febre amarela. É por isso que devemos prevenir a doença e uma medida de grande importância é a vacinação.

A vacina pode ser aplicada em qualquer posto de saúde, em qualquer época do ano e é gratuita. Ela também é disponível em clínicas particulares. A partir de abril de 2017 o Ministério da Saúde passou a adotar a dose única da vacina contra a febre amarela, de acordo com a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS). O Brasil era o único país a adotar a dose dupla para a doença. Não há necessidade de novas aplicações para pessoas que já tenham recebido uma dose da vacina e essas pessoas são consideradas imunizadas. Caso a pessoa nunca tenha sido vacinada, deverá procurar um serviço de vacinação. Se você for viajar para áreas de risco, preferencialmente, essa aplicação deve ser feita pelo menos 10 dias antes da viagem. Se você não possui o cartão de vacinação e não sabe se já tomou, você pode e deve ser vacinado, não havendo contraindicação caso já tenha recebido uma dose anteriormente. As únicas contraindicações da vacinação são relacionadas a gestantes, mulheres que estão amamentando, crianças com menos de 6 meses de vida, pessoas com algum tipo de debilidade no sistema imunológico e pessoas com alergia grave a ovo.

Este está sendo o pior surto de febre amarela no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde. Todos os casos confirmados se tratam da versão silvestre da doença – o que reforça a necessidade de prevenção por quem frequenta e pratica atividades de aventura, especialmente no mato.

Causa do surto?

Não há comprovação científica ainda, mas algumas fontes fazem ligação do surto com o desastre ambiental causado pelo rompimento da barragem de Fundão, no distrito de Bento Rodrigues, de responsabilidade da Samarco. O argumento seria que, com a destruição causada pela lama, alguns animais predadores naturais dos mosquitos e das larvas desapareceram, causando um desequilíbrio ecológico e, com isso, causando um aumento descontrolado dos transmissores da doença. Além disso, este mesmo desequilíbrio pode ter afetado a saúde de macacos que se tornaram mais susceptíveis ao vírus, contribuindo assim para o alastramento da doença.

Atenção quem vai para o mato! Cuide de sua saúde e da saúde de todos! Vacine-se!

Agradecimento:
Consultoria técnica: Dra. Juliana Fulgêncio Henriques
Médica Infectologista – Rede Mater Dei de Saúde e Hospital das Clínicas / UFMG

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